Thursday 13 May 2021
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campogrande - 1 month ago

Covid que trouxe distância também fortaleceu parceria entre motoboys

O que a pandemia trouxe de separação, parece que para os motoboys de Campo Grande  a coisa até se tornou mais unida. E como a união faz a força, esses profissionais já chegaram no ponto de criar amizade panelinha , fazer piada interna entre os brothers e até dar um socorro quando se é preciso. Segundo eles mesmos contam, ficar de olho grudado ao celular, fazer as entregas sozinho, passar por poucas e boas entre clientes e comerciantes – sem falar no risco das ruas – não é fácil. Porém, com o apoio do grupo, a vida fica um pouco mais leve. É uma profissão solitária , confirma Douglas Wandenberg, motoboy de 34 anos que há 12 se vira nas entregas. Aqui todo mundo é colega um do outro. Afinal, estamos juntos aqui é na luta , diz. A verdade é que uma mão ajuda a outra. Se acontecer algo comigo ou com o parceiro, é bem mais provável contarmos com o cara a cara entre nós do que a assistência dos aplicativos que trabalhamos , explica sobre quando colegas se juntam para arrumar a moto um do outro que acidentou, entregar uma cesta básica a família ou até emprestar o dinheiro do remendo de borracharia. Muitas das vezes, é uma profissão injusta , comenta Plinio Wellington, 33 anos. Porém, assim como ele, é apaixonado por quem faz. E tem gente que não só trata como ganha-pão, mas também uma forma de terapia . Tem quem prefere não ficar em casa por lidar com os problemas da vida. Aqui na rua podemos conversar abertamente um com o outro e até compartilhar experiências. Isso até apitar uma nova corrida , esclarece. Seja na rua Euclides da Cunha, perto da Praça do Peixe, na avenida Júlio de Castilho, na Praça do Rádio e assim por diante, diferentes motoboys acabam se mesclando nos grupos da bagunça no WhatsApp. Mas quando o papo é sério, a gente deixa a brincadeira para outra hora , confirma Plinio. Mesmo que a profissão exija ficarem atentos ao celular na ansiedade de uma entrega a ser realizada, é no presencial que a coisa acontece. Claro que nem todo mundo se conhece, afinal na pandemia o número de motoboys cresceu e eles se espalharam pela cidade – sem falar no fato de que nem sempre os horários se cruzam. Entretanto, vez ou outra, é possível reconhecer um colega nas viagens. Num mesmo endereço, é possível encontrar diferente grupos. E assim como qualquer panelinha , tem os piadistas, os malas, os pescadores cheios de histórias (muitas delas inventadas), os malas e o que se só reclamam da vida.  Principalmente os que reclamam de não receberem corrida. É natural sentirmos uma invejinha daqueles que mal param aqui por sempre terem entregas na mão. Tudo dependo do nosso score (notas/classificação) que é renovado mensalmente. Quem faz mais entrega, tem o score mais alto e recebe prioridade para pegar a próxima , explica. Na esquina em que Douglas e Plinio costumam ficar, na avenida Afonso Pena com a rua Padre João Crippa, outros entregadores também o fazem de ponto de espera . Ali, um dos amigos – que preferiu não ser identificado – lamentou o fato do Lado B não ter conhecido o Haroldinho ou o Clayton , figuras da entrega que não estavam na ocasião da reportagem. São pessoas extrovertidas, que trazem alegria pra cá. É o que precisamos. Haroldinho, pro exemplo, é o maior zoeira. Tudo ele aumenta um conto , brinca o motoboy. É uma profissão cansativa e a vida fica mais leve com essa união. Aqui falamos de tudo. Tem até briga de política e futebol, o que prefiro nem entrar no meio , admite Plinio. Mas tem aqueles que se juntam e fazem um churrasquinho e até conhecem a família um do outro. Isso não é todo mundo pois a rua é nosso ambiente de trabalho, e o lazer nem sempre é possível , comenta Plinio. Por mais que seja um clube do Bolinha , as mulheres vêm ocupando mais espaço nessa labuta profissional. Douglas acha isso muito bacana pois é um aprendizado, mostrar para nós homens que todo mundo aqui tem seu espaço garantido e respeito , diz. Barulhinho da alegria – Quando toca o celular, é a hora que a entrega começa. No caso desses Papaléguas do Asfalto (nome que deram ao grupo de mensagens criado), vestir a camisa é obrigação. Literalmente, pois até camiseta já fizeram. Temos que mostrar para os aplicativos que estamos trabalhando. Eles sabem os horários que costumamos ficar disponíveis, e isso aumenta nosso score. É uma rotina diária, que não pode deixar a peteca cair , diz Douglas. Varia muito a personalidade, vivência e idade dos colegas. No caso de Eliel Alfonso da Costa, 21 anos, seus parceiros mais velhos não levam a alcunha de tiozão . É de igual para igual pois acaba que somos pais e mães de filha, temos responsabilidades. Então é muito misturado e até que dá certo , opina. Já para Vinícius Freitas, 29 anos, os 12 meses de motoboy já o ensinaram muita coisa. Com nós não dá pra mexer. Se a gente vê alguma coisa errada na rua, vamos lá socorrer o amigo, independente se eles estava certo o errado. Geralmente nós somos a vítima , conta. Isso mostra que estamos aqui juntos pra valer , reforça. Para ele, assim como Plinio, Douglas e Eliel, o fato de ficarem juntos papeando – nem que seja por minutos a espera de uma nova corrida – faz a atividade profissional ficar mais leve e divertida. Já sofremos com bastante estresse, então contar com a galera é massa , finaliza o motoboy. Curta o Lado B no Facebook e no Instagram . Tem uma pauta bacana para sugerir? Mande pelas redes sociais, e-mail: ladob@news.com.br ou no Direto das Ruas através do WhatsApp do Campo Grande News (67) 99669-9563 .


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