Thursday 28 May 2020
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ebc - 5 days ago

Feira virtual de pequenos vendedores terá participação de indígenas

Com 26 anos, Luciana Parapoty já pode ser considerada uma artesã experiente na produção de cestas, acessórios e peças decorativas. Desde os 8 anos, ela aprendeu as técnicas com parentes e outros membros da aldeia guarani Tekoakaovi Porã, que costuma receber visitantes e realizar atividades educativas em Maricá, no Rio de Janeiro. Desde o início do isolamento social, porém, todas as atividades foram suspensas, a loja da aldeia fechou, e as vendas, que são a principal fonte de renda da comunidade, chegaram a quase zero. A maioria que vive na aldeia, vive de artesanato. A gente recebia turistas e estudantes e vendia o que a gente faz na lojinha aqui da aldeia. Decidimos fechar também pela nossa saúde, mas ficou muito difícil , disse a artesã, aliviada com o fato de a aldeia com 90 pessoas não teve casos de covid-19. Artesanato indigena Weena - Gabriella Ribeiro/Direitos reservados Para ganhar uma vitrine de exposição de seus produtos, a aldeia de Maricá se associou ao coletivo de marcas Retoke, que desde o início da quarentena realiza transmissões ao vivo para anunciar produtos de pequenos produtores. O coletivo criou ainda uma página na internet para vendas online e ajuda os produtores a expor e enviar seus produtos para compradores. Em troca, cobra um percentual de 10% das vendas do site e uma mensalidade que dá direito a participar das transmissões ao vivo. Alguns vendedores, como a artesã, estão em seu primeiro contato com vendas online, forçados a se conectar pela quarentena. Além da loja da aldeia, os indígenas de Maricá costumavam participar de feiras e eventos, que foram suspensos como prevenção ao coronavírus. Como o início do isolamento social foi em março, encalharam todos os produtos feitos para a principal data do calendário de eventos, a comemoração do Dia do Índio, em 19 de abril. Serão alguns desses produtos que ela vai apresentar na próxima live do projeto Retoke no Instagram, que será realizada hoje (23) e amanhã (24).  Trabalhamos muito com artesanato, mas não temos experiência na hora de aparecer na câmera para vender. Tivemos que criar um Instagram, e sou eu que vou apresentar , disse ela, que confessa ainda estar se preparando para estrear nas transmissões ao vivo da internet. Nem sei como vai ser . Além de Luciana, estarão presentes na feira deste fim de semana ex-integrantes da ocupação Aldeia Maracanã e a indígena Weena Tikuna, que tem um grife de moda indígena e produz roupas femininas, masculinas e plus size. A idealizadora da feira, Marina Carneiro, conta que cada produtor tem até 30 minutos para expor seus produtos, que depois continuam disponíveis na loja online do projeto. Apesar de a inciativa ser carioca, há marcas e compradores de outros estados participando. artesanato indigena Arteguarani - Toni Lotar/Direitos reservados A Retoke iniciou a loja online e as feiras virtuais quando percebeu que os pequenos produtores anunciados na loja física do projeto, em um shopping do Rio de Janeiro, não tinham familiaridade com as ferramentas da internet e dependiam de feiras e eventos como seus únicos pontos de venda. A cada edição, vamos ouvindo o retorno dos clientes e melhorando. Tem gente que compra de várias marcas e, depois da feira, recebe um batom, uma blusa, um hambúrguer e um sorvete , exemplifica Marina, sobre a diversidade de produtos expostos. Para os produtores, essa feira possibilitou ter uma data, que é algo que a pandemia tirou da gente. Ter aquela adrenalina de produzir e se preparar para vender . Em nome de pequenos produtores, ela faz um apelo aos consumidores: Em vez de pedir um hambúrguer daquela marca grande, por que não pedir o do seu vizinho que tá ali do lado e pode estar fazendo um trabalho bacana? A gente faz esse apelo, e as pessoas têm recebido de uma forma muito positiva .

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