Monday 12 April 2021
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campogrande - 1 month ago

Mulheres dedicam o dobro do tempo para cuidados da casa e de terceiros

Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) identificou o que muitas mulheres já sabiam e vivenciam diariamente: os afazeres domésticos ou cuidar de outras pessoas, entre filhos e pessoas com deficiência, por exemplo, ocupam quase o dobro do tempo delas em relação aos dos homens. O recorte fica mais evidente se for levada em conta a raça dos pesquisados. O levantamento de 2019 mostra que, em Mato Grosso do Sul, os homens gastam, por semana, 9,5 horas para cuidados de pessoas ou afazeres domésticos. Entre as mulheres residentes no Estado, esse número sobe para 17,1 horas. Os resultados seguem a média nacional: 10,4 horas entre homens e 18,5 horas em todo o País. Os índices fazem parte da estudo divulgado hoje pelo IBGE, o “Estatística de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”. O levantamento analisa as condições de vida das brasileiras a partir de um conjunto de indicadores proposto pelas Nações Unidas. O IBGE compilou informações de suas pesquisas e de fontes externas para elaborar o estudo. A disparidade se mantém e até se acentua quando a pesquisa detalha essa ocupação entre brancos/brancas e negros/negras, atividades não remuneradas e envolvem cuidados domésticos com outros, como filhos ou pessoas deficientes. Pelo levantamento, no total, as pessoas brancas dedicam 13,9% horas semanais nos cuidados de pessoas ou afazeres domésticos. Em Mato Grosso do Sul, a média é de 12,8 horas. Entre a população geral identificada como preta ou parda, a dedicação semanal é de 14,5 horas em MS, próximo da média nacional, de 13,1 horas. Entre os homens brancos, residentes em Mato Grosso do sul, esse índice de ocupação é de 9,2 horas e, entre os negros, 9,7 horas. Se comparado com as mulheres no Estado, a diferença é quase o dobro: entre as brancas, 16,6 horas e, entre as negras, 17,6 horas semanais dedicadas a afazeres domésticos e ao cuidado de terceiros. A taxa de desocupação na pesquisa também indica o quanto a obrigatoriedade em cuidar de terceiros prejudicam a inserção das mulheres no mercado de trabalho. Pela pesquisa, entre os homens, a taxa em 2019 era de 11,7% no Brasil, 7,8% em MS. Entre os homens, em todo o País, era de 9,6% e, no Estado, 5,9%. Levando-se em conta somente os brancos, o índice nacional era de 7,7% e, em MS, 4,8% de desocupação. Entre os negros, 11,2% e 7%, respectivamente. Os índices sobem quando a taxa de desocupação é calculada entre as mulheres. No País, o índice é de 14,1% e, em MS, 10%. Em relação às brancas, 11% e 8%, respectivamente. Se o recorte levar em conta somente as mulheres negras, o resultado é ainda maior: 16,8% no Brasil, 11,4% em MS. Nacional – Em 2019, o nível de ocupação das mulheres de 25 a 49 anos vivendo com crianças de até 3 anos de idade foi de 54,6% e o dos homens foi de 89,2%. Isso significa que eles tinham atividade remunerada fora de casa, enquanto elas aparecem em número menor neste quesito. Em lares sem crianças nesse grupo etário, o nível de ocupação foi de 67,2% para as mulheres e 83,4% para os homens. As mulheres pretas ou pardas com crianças de até 3 anos de idade no domicílio apresentaram os menores níveis de ocupação: 49,7% em 2019.  Em relação a cuidados de pessoas ou afazeres domésticos, as mulheres dedicaram quase o dobro de tempo que os homens: 21,4 horas contra 11 horas semanais. A proporção em trabalho parcial (até 30 horas semanais) também é maior: 29,6% entre as mulheres e 15,6% entre os homens.


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