Tuesday 22 January 2019
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folha - 9 days ago

Registros de intolerância triplicaram em SP na última campanha eleitoral

Os registros de crimes relacionados à intolerância no estado de São Paulo atingiram um pico durante as eleições de 2018. Em agosto, setembro e outubro, meses de campanha, foram 16 casos por dia, em média, o que representa mais do que o triplo dos 4,7 registros diários ao longo do primeiro semestre.

O aumento começa em julho e atinge o ápice do ano em outubro, mês da votação de primeiro e segundo turnos, com 568 boletins de ocorrência- pouco mais de 18 por dia.

O total apenas do mês das eleições representa 67% do acumulado dos seis primeiros meses do ano e é mais que o triplo do observado em outubro de 2017, quando foram 159 registros, média de 5 por dia.
Os números recuam em novembro, mas seguem altos em comparação ao primeiro semestre do ano passado.

Os dados, obtidos pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação, são de boletins de ocorrência registrados no estado para crimes motivados por algum tipo de intolerância: por homofobia ou transfobia, racial, por etnia ou cor, origem, religião, e outros.

Desde novembro de 2015, o boletim de ocorrência no estado passou a ter um campo para a vítima ou o policial informarem se o crime foi motivado por intolerância. Caso assinalem que sim, outro campo aparece para que seja incluído o tipo de preconceito. A medida era uma demanda da comunidade LGBT.

Nos meses eleitorais, as ocorrências de intolerância religiosa cresceram 171% em relação ao total dos três meses anteriores. As de homofobia, 75%, e as de intolerância por origem, 83%. Registros relacionados a preconceito de cor ou raça aumentaram 15%.

A defensora pública Juliana Belloque diz que notou uma alta das denúncias, o que motivou a criação do Observatório da Violência por Intolerância, da Defensoria Pública de São Paulo, em outubro passado. É até natural algum aumento em eleições em geral, mas, em 2018, houve um pico muito agudo, inclusive de violência física , diz ela, coordenadora do observatório. Segundo a defensora, as denúncias arrefeceram após novembro.

O presidente da Aliança Nacional LGBTI+, Toni Reis, que também reuniu casos no período, disse que a situação era alarmante. Começaram a pipocar muitas denúncias graves. Nós sabemos que o país tem essa cultura [homofóbica], aí quando vem o presidente e abre a porteira, os demônios saem para passear , diz.

Toni Reis se refere ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), que, em 2011, chegou a dizer que preferia ter um filho morto a um filho gay.

Em outubro do ano passado, após registros de violência pelo país cometidos por alguns de seus eleitores, Bolsonaro divulgou uma mensagem na qual dizia dispensar o voto e qualquer aproximação de quem pratica violência .

A este tipo de gente peço que vote nulo ou na oposição por coerência, e que as autoridades tomem as medidas cabíveis, assim como contra caluniadores que tentam nos prejudicar , escreveu o então candidato ao Planalto, que foi alvo de um dos episódios mais violentos da campanha ao sofrer um ataque com faca em Juiz de Fora (MG), em setembro. Leia mais (01/13/2019 - 02h00)

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